domingo, 11 de novembro de 2012

#87

A única tarefa que, até agora, falhou. Redondamente.

Uma parte do manifesto que escrevi traduz o meu estado de espírito...

"Sinto-me triste, mal-amada e revoltada.
Sou PROFESSORA. Pelo menos é isso que eu sinto. Licenciei-me em ensino e disseram-me que era e seria professora. Depois passei a ser conhecida como professora contratada, um “outro” tipo de professor. Há uns tempos ouvi na televisão o termo “contratados acidentais”. Eu não sou um acidente! Eu sou um ser humano! Não sou alguém que anda a fazer asneiras, a ocupar espaço ou até a gastar oxigénio! Eu sou essencial ao meu País! E se o meu País me ajuda, eu ajudo-o! E não é isso que está a acontecer. Quem governa o meu País está a descartar-me, está a dizer-me para emigrar! Quem governa o meu País não me pede desculpa por estar a pisar-me em cima e a tornar-me difícil a respiração! Eu ouvi vozes a tentarem conter a comoção quando falaram na SIC Notícias sobre o facto de serem SENHORES PROFESSORES há muito, muito tempo e agora verem essa realidade, tomada como garantida, roubada. Tomada como garantida sim, porque não é ao fim de 20 anos de serviço à Nação que se atira um SENHOR PROFESSOR para a rua! Mas não é só isso.

Sinto-me triste, mal-amada, revoltada e desrespeitada.

Temos uma Constituição da República Portuguesa. Esta, no seu Preâmbulo diz “Libertar Portugal da ditadura, da opressão e do colonialismo representou uma transformação revolucionária e o início de uma viragem histórica da sociedade portuguesa.” A OPRESSÃO continua, e QUEM NÃO SE SENTE, NÃO É FILHO DE BOA GENTE! No seguimento diz “A Revolução restituiu aos Portugueses os direitos e liberdades fundamentais.” Nos dias de hoje, estão a ser retirados aos Portugueses esses mesmos direitos! Ao ler o artigo 1º dos Princípios Fundamentais: “Portugal é uma República soberana, baseada na dignidade da pessoa humana e na vontade popular e empenhada na construção de uma sociedade livre, justa e solidária.” não é assim que eu vejo Portugal. Portugal está a subjugar-se, está a deixar que outros lhe tirem a dignidade restante e eu quero resistir. Eu exijo que as Tarefas Fundamentais do Estado, patentes no artigo 9º, tais como “a) GARANTIR A INDEPENDÊNCIA NACIONAL e criar as condições políticas, económicas, sociais e culturais que a promovam; d) PROMOVER O BEM-ESTAR e a qualidade de vida do povo e a igualdade real entre os portugueses, bem como a efectivação dos direitos económicos, sociais, culturais e ambientais, mediante a transformação e modernização das estruturas económicas e sociais; f) ASSEGURAR O ENSINO e a valorização permanente, defender o uso e promover a difusão internacional da língua portuguesa” sejam cumpridas! Eu não tenho que ser inferiorizada em relação a uma senhora alemã! Eu não tenho que passar fome! Eu não tenho que estar dentro de UMA sala de aula com TRINTA crianças! Eu quero respeito e justiça para mim e para os outros! Mas, para haver essa justiça, tem que haver solidariedade. Temos que sair para a rua! Mas não é só isso."

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